Sexta fase da Operação Unha e Carne apura esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões por meio de rede de postos de combustíveis
Segundo a PF, policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminensecrédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (7/7), a sexta fase da Operação Unha e Carne para desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro, com a participação de agentes públicos. Entre os alvos da operação estão o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Marcus Amim e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, pré-candidato ao Senado, segundo o jornal O Globo.
Segundo a PF, policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Também foram determinadas medidas de sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.
As investigações apontam que o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à Polícia Federal.
De acordo com a corporação, além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das investigações.
Marcus Amim comandou a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro entre 2023 e 2024. Ele deixou o cargo por decisão do então governador Cláudio Castro (PL). Antes de assumir a secretaria, presidiu o Detran-RJ.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635.
Prisões na fase anterior
A sexta etapa da Operação Unha e Carne ocorre cinco dias após a quinta fase da investigação, quando a Polícia Federal prendeu o pastor Márcio Poncio. Na ocasião, também foram alvos o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, foram cumpridos três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão, além do sequestro de bens e valores de aproximadamente R$ 22 milhões. Segundo a PF, essa fase buscou aprofundar as investigações sobre indícios de lavagem de dinheiro atribuídos a Adilsinho, apontado como líder da atual cúpula do jogo do bicho no estado, e apurar uma possível ramificação do esquema envolvendo integrantes dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.
Histórico da investigação
A Operação Unha e Carne foi iniciada em dezembro de 2025. Na primeira fase, a Polícia Federal apontou que o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, teria repassado informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, investigado por atuar como articulador político do Comando Vermelho.
Na sequência das investigações, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), sob a suspeita de ter vazado informações sigilosas a Bacellar.
Em março deste ano, durante a terceira fase da operação, Bacellar voltou a ser preso após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a PF, os fatos investigados passaram a ser relacionados ao cumprimento da ADPF 635 e aos impactos sobre as ações de enfrentamento ao crime organizado no estado.
Na quarta fase, deflagrada em maio, a Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de comandar um esquema de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). A investigação apura irregularidades em contratações de serviços, aquisição de materiais e obras de reforma.

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