Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Policial civil que agrediu comerciante iraniano é indiciado
Investigador foi flagrado por câmeras apontando arma dentro de loja em SP. Universitária que acionou o policial também foi indiciada em inquérito.
10/03/2016 19h19 - Atualizado em 10/03/2016 20h43
Do G1 São Paulo
A Corregedoria da Polícia Civil indiciou o investigador José Camilo Leonel por causa da agressão ao comerciante iraniano Navid Saysan dentro de uma loja de tapetes em São Paulo. O policial civil é suspeito de cometer os crimes de corrupção passiva, constrangimento ilegal, injúria e falsidade ideológica, segundo informou a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SP) na noite desta quinta-feira (10).
O inquérito será encaminhado ao Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), do Ministério Público (MP), que analisará se vai oferecer denúncia à Justiça. A estudante de Direito Iolanda Delce dos Santos, que comprou um tapete na loja e acionou Leonel após não conseguir o dinheiro do produto de volta, também foi indiciada por constrangimento ilegal, falsidade ideológica e exercício arbitrário das próprias razões.
A agressão ocorreu nos Jardins, área nobre da capital paulista, no dia 21 de janeiro, e foi registrada por câmeras de segurança. Os vídeos foram divulgados pelo Fantástico. No inquérito policial sobre a agressão, a Corregedoria ouviu a universitária, além de agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE), e testemunhas. O investigador José Camilo Leonel foi afastado das funções por 180 dias e precisou entregar arma e distintivo.
A advogada do comerciante, Maria José Ferreira, disse que espera que a Promotoria denuncie Leonel e Iolanda também pelo crime de tortura. A defesa do iraniano deve entrar com uma ação indenizatória por danos morais contra o policial, a estudante e a Fazenda Pública do estado de São Paulo.
G1 tentou contato com a defesa de Leonel e Iolanda, mas não encontrou os advogados para comentar o indiciamento.
Processo administrativo
Além do inquérito policial, José Camilo Leonel também responde a um processo administrativo disciplinar na Corregedoria. O comerciante iraniano Navid Saysan prestou depoimento no dia 2 de março. A advogada do comerciante, Maria José Ferreira, disse que Saysan relatou à Corregedoria como ocorreu a compra do tapete e todos os desdobramentos até a agressão dentro da loja.
Segundo a advogada, o próximo a ser ouvido no procedimento administrativo será o policial civil e, em seguida, as testemunhas do iraniano e do investigador. Ela não foi informada sobre a data do interrogatório de Leonel. A SSP também não divulgou quando ele deve ser ouvido. Maria José disse que a expectativa é de que o processo administrativo aponte pela demissão do policial. A advogada de José Camilo Leonel no procedimento administrativo, Eliana Rasia, afirmou que o processo é sigiloso e que, por isso, não vai comentar o assunto.
Estudante universitária conversa com policial civil em frente a loja de tapetes nos Jardins, em São Paulo (Foto: Reprodução TV Globo)Estudante universitária conversa com policial civil em frente a loja de tapetes (Foto: Reprodução TV Globo)
Agressão
A agressão ocorreu por causa da venda de um tapete na loja de Navid Saysan. A estudante de Direito Iolanda Delce dos Santos, que comprou o produto, decidiu devolvê-lo, mas não conseguiu o dinheiro de volta. O comerciante ofereceu um crédito para a compra de outros itens da loja, mas a universitária não aceitou.
Depois disso, ela acionou o investigador José Camilo Leonel, para auxiliá-la. Ele agrediu o iraniano com socos. Toda a agressão foi flagrada por câmeras de segurança. Antes do ocorrido, Iolanda e o policial se encontraram em um restaurante a 250 metros da loja. Em depoimento à Corregedoria, ela confirmou que se encontrou com o policial antes de ir à loja para ser orientada sobre os problemas que estava tendo na compra do tapete. Ela negou, no entanto, ter amizade com José Camilo Leonel.
Em entrevista ao Fantástico, a estudante disse que se sente culpada, mas que o dono da loja provocou o policial e, por isso, ele o agrediu. "O comerciante xingou ele. Ele provocou o policial", afirmou a universitária.
Investigado por outros crimes
José Camilo Leonel é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil também por sua atuação em uma ocorrência em julho de 2013, na qual duas adolescentes de 13 e 14 anos foram baleadas, segundo o G1 apurou. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na época, houve troca de tiros entre o carro em que estavam as adolescentes e a viatura de Leonel.
No entanto, a mãe de uma das adolescentes disse ao G1 que as meninas foram baleadas na perna, mesmo sem estarem armadas, e depois de terem descido do carro e informado que não sabiam o que estava ocorrendo. José Camilo Leonel também é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil por uma agressão em um posto de combustíveis, em 2015.
Encontro em restaurante e agressão
José Camilo Leonel foi visto em um restaurante com a estudante universitária Iolanda Delce dos Santos, antes de ela o acionar no dia 21 de janeiro para ir à loja do comerciante iraniano. Imagens registradas pelas câmeras do estabelecimento mostram os dois se encontrando (veja no vídeo abaixo).
No vídeo, a mulher está à espera em uma mesa. O policial civil chega e cumprimenta a mulher com um beijo. Eles conversam por mais de 30 minutos. O G1apurou que o policial e a mulher foram vistos juntos na calçada, em frente ao restaurante, que fica a 250 metros da loja, e que o vídeo está com a polícia.
Depois do encontro, a mulher foi à loja para pedir o dinheiro de volta da compra de um tapete, chamou a polícia e, em seguida, o policial civil chegou e agrediu o comerciante. Em depoimentos à polícia, tanto o policial quanto a jovem negaram que se conheciam antes do ocorrido.
O Secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, disse nesta quinta-feira (25) que o policial e a mulher combinaram toda a cena ocorrida na loja do comerciante. "Nós já temos provas robustas que os dois não só se conheciam como se encontraram minutos antes do ocorrido. Temos provas de que combinaram o ocorrido".
Moraes disse que Iolanda "vai responder por participação em todos os crimes praticados pelo investigador". "Isso vai sem nenhuma dúvida tipificar, no mínimo, além de abuso de autoridade, além das agressões, vai tipificar advocacia administrativa por parte do investigador", afirmou o secretário.
Câmera de segurança do restaurante mostra o policial civil dando um beijo na mulher no encontro antes de ela ir à loja do comerciante (Foto: Reprodução/TV Globo)Câmera de segurança do restaurante mostra o policial civil dando um beijo na mulher no encontro antes de ela ir à loja do comerciante (Foto: Reprodução/TV Globo)
VEJA A CRONOLOGIA DO CASO:
21 de janeiro: A universitária Iolanda Delce dos Santos foi à loja do iraniano Navid Saysan tentar recuperar o dinheiro da compra de um tapete. Ela pagou R$ 5 mil pelo produto e queria o dinheiro de volta. Ela saiu da loja dizendo que iria chamar a polícia. O policial civil José Camilo Leonel chegou em seguida e agrediu o comerciante. Ele chamou o reforço do GOE. O iraniano deixou o local algemado.
14 de fevereiro: Reportagem do Fantástico mostraimagens das câmeras de segurança da loja de tapetes que mostram a agressão do policial civil ao comerciante. Após a confusão, os envolvidos foram pra delegacia do consumidor e para a corregedoria, onde foi feito um boletim de ocorrência.
15 de fevereiro: A Secretaria de Segurança Pública diz que o policial civil será afastado até o final da apuração dos fatos e que iria abrir inquérito contra a mulher.
16 de fevereiro: O policial civil é afastado por 180 dias.
18 de fevereiro: O iraniano Navid Saysan presta depoimento na Corregedoria da Polícia Civil e sai sem falar com a imprensa.
19 de fevereiro: Em entrevista ao G1, a advogada do comerciante diz que Iolanda foi vista em viatura da Polícia Civil antes de o policial agredir o iraniano.
22 de fevereiro: Reportagem do G1 revela que o policial civil José Camilo Leonel é sócio de uma empresa de segurança. Ele é um dos donos da Pentalpha Consultoria Técnica de Segurança e Investigação em Fraudes Contra Seguros Ltda., que tem como sócia administradora uma parente do policial, Zenaide Leonel dos Santos. Segundo a SSP, os policiais civis podem ser cotistas ou acionistas de empresas, de acordo com a Lei Orgânica da Polícia do Estado de São Paulo, mas não podem ser sócios administrativos ou gerentes. No mesmo dia, a secretaria recolhe o distintivo e a arma do policial.
25 de fevereiro: G1 e a TV Globo divulgam vídeo em que a estudante é vista com o policial antes da agressão na loja de tapetes. Durante a tarde, Iolanda Delce dos Santos presta depoimento na Corregedoria e muda a versão sobre seu relacionamento com Leonel. Ela afirma que foi apresentada ao investigador pelo advogado, mas nega ter amizade com Leonel. No dia 25, o G1também divulga que o José Camilo Leonel também é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil por uma agressão em um posto de combustíveis, em 2015.
26 de fevereiro: Mais três testemunhas prestam depoimento à Corregedoria da Polícia Civil. Uma delas é o advogado que apresentou a estudante ao policial. No mesmo dia, o G1 divulga que José Camilo Leonel também é investigado por sua atuação em uma ocorrência em julho de 2013, na qual duas adolescentes de 13 e 14 anos foram baleadas. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na época, houve troca de tiros entre o carro em que estavam as adolescentes e a viatura de Leonel.
28 de fevereiro: Em entrevista ao Fantástico, Iolanda Delce dos Santos volta a dizer que conheceu o investigador no dia da agressão. A estudante disse que se sente culpada pelo ocorrido, mas afirmou que iraniano 'xingou' o policial.
02 de março: o iraniano Navid Saysan presta novo depoimento na Corregedoria da Polícia Civil.

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