Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O que é e o que não é perseguição de superior

por Danillo Ferreira31 maio 2012
Sabemos que as organizações militares são ambientes tradicionalmente acusados de acobertar práticas perversas nas relações interpessoais entre superiores e subordinados, principalmente em virtude de marcas de um passado que sequer permitia a liberdade de expressão ao cidadão comum. Hoje, após a Constituição de 1988, casos de assédio e arbitrariedades ainda ocorrem, mas limitados por novas mentalidades, pela já citada renovação legal (que nem atingiu tanto os militares) e pelo acesso das “baixas hierarquias” a mecanismos como o Ministério Público e a imprensa.
Nas polícias militares, principalmente entre os praças, ainda há uma hipersensibilidade às ações dos seus superiores, que nem sempre estão adequadamente alinhadas com o papel de “promotor da cidadania” que deve exercer nas ruas – diferentemente das Forças Armadas, que, quase toda aquartelada, vive a doutrina militar de comando e controle em sua essência. A massa das tropas PM, soldados, cabos e sargentos, veem seus superiores como potenciais praticantes de “perseguições”.
O termo “perseguição” pode ser entendido como o conjunto de medidas adotadas por um superior contra um subordinado, podendo ser elas ilegais ou legais, mas administrativamente injustas e direcionadas. Para que o leitor entenda do que estamos falando, abaixo vai uma pequena lista do que entendemos ser perseguição e do que não é, embora muitos, irrefletidamente hipersensíveis, considerem como tal:

É perseguição:

– Transferir o policial para um local distante de onde reside sem qualquer justificativa funcional plausível;
– Cobrar o cumprimento de determinações, mesmo as legais, que não são exigidas aos demais policiais da unidade;
– Punir o policial por falta disciplinar desproporcionalmente à natureza do atraso (imagine a demissão de um policial por chegar atrasado ao serviço);

Não é perseguição:

– Cobrar cumprimento de horário;
– Exigir que os trâmites legais sejam adotados para determinado procedimento;
– Não conceder privilégios individuais sem critérios técnicos/legais.
É sempre bom estar atento à tentação da pessoalidade, que pode fazer com que o superior hierárquico aja com excessivo rigor e desnecessária cobrança contra um profissional. Por outro lado, é preciso que o subordinado entenda o papel do superior, e se insira em sua profissão de acordo com os preceitos legais e técnicos exigidos.
Não devemos crer no discurso vitimista de quem é perseguido por tudo e por todos. Mas não devemos ser otimistas nem benevolentes mesmo com as pequenas medidas carregadas de vaidades, pois geram uma cadeia de perversidades e distorções institucionais.
http://abordagempolicial.com/2012/05/o-que-e-e-o-que-nao-e-perseguicao-de-superior/

Danillo Ferreira
Cofundador do Abordagem Policial, Oficial da Polícia Militar da Bahia e associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Contato: abordagempolicial@gmail.com









http://abordagempolicial.com/2012/05/o-que-e-e-o-que-nao-e-perseguicao-de-superior/

 
  • Caro COLEGA Tenente Danillo Ferreira. Fico muito feliz ao perceber que existem pessoas com um bom-senso tão apurado como o seu, nas instituições ditas "atrasadas" e "tirânicas". Muito interessante a sua visão, de que a vitimização pode ser tão negativa quanto a própria perseguição. Acredito que precisamos de mais respeito e boa-fé, por parte de todos os policiais, sejam eles praças, oficiais, delegados ou agentes. Torço para que, como Oficial Superior, você comande os seus guerreiros com tanta parcimônia e caráter como demonstrou nesse texto, sem jamais perseguí-los, mas atento à lei e ao bom funcionamento da instituição.
    Forte abraço.
    Leo Vasconcellos.
    kort_l@yahoo.com.br
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        tenho 20 anos de policia e fui punido por ato em serviço e quando cumpria a detenção um capitção me fez entregar minha motocicleta para que ele pudesse sair para a rua a noite e devolveu com o tanqu vaziu e mais me ameaçou de deixar preso por 15 dias para que ele pudesse ficar com a motocicleta. acerdito que ele tinha um namorado e tinha vergonha de ir com o veiculo dele e ser reconhecido, logo precisaria de um outro veiculo diferente do seu. E ai isso que tal praga chamada oficial cometeu é o que??
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            E por falar nisso.....
            Ministro promete votação da PEC 300 em 'semana da segurança pública' da Câmara
            O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prometeu que as Propostas de Emenda Constitucional (PECs) 300 e 446, que instituem um piso nacional para policiais, bombeiros e demais agentes de Segurança Pública, e outros projetos de sua alçada devem ser votados na Câmara, na mesma semana antes do recesso parlamentar, em junho.
            Na "semana da segurança pública", como Cardozo denominou, também devem ser apreciados o projeto de lei que cria o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp), para integrar os bancos de dados do governo federal e dos estados com informações sobre segurança pública. 
            "A ideia do presidente é reservar uma semana com a pauta focada em projetos de segurança pública e agora ficamos de discutir os projetos que integrarão esta pauta", afirma Cardozo.
            FONTE - JORNAL DO BRASIL
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                Verdade, cada caso é um caso, isso aprendi no meu primeiro emprego, chefe e superioes carrascos não são exclusivos das PM. O que já presenciei muito é falta de diálogo, erros de comunicação, coisas bobas que geram confusão. Uma pergunta simples ou uma dúvida qualquer ser ignorada ou respondida com rispidez, como se isso fosse sinônimo de hierarquia ou respeito, e que algumas vezes se desdobravam em algo mais sério. Mas também já ouvi muito discurso de perseguição que na verdade era discurso de quem queria ganhar sem cumprir seu dever.
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                    Como disse o Victor Fonseca, há casos e casos.
                    Eu mesmo no meu CFSd, tinha um Sgt monitor que era o carrasco, o capeta em pessoa, tinha até fama de perseguidor, so que quando pegava no pé de alguem, era porque o cabra era ruim de serviço, e não dava outra desligamento na certa. Durante o curso, ao menor vacilo de algum aluno, por exemplo um passe errado na instrução de ordem unida o sd aluno era corrigido aos berros, aos empurroões e chutes no calcanhar,.... até sua mãe era lembrada nessa hora. Mas, quando ele solicitava voluntarios para fazer serviços na sua casa nos finais de semana, (naquela época isto era permitido ) todos se prontificavam a ir... . não por respeito/temor, mas sim pelo ótimo tratamento que ele dispensava a todos sem distinsão fora do quartel, parecia que era outra pessoa, educado companheiro e amigo. Certa vez, ao ver a dificuldade financeira de um Sd Al, ele fez uma lista e correu na sala de aula e por todo o quartel: todos contribuiram com o que podiam, o pessoal administrativo e quase todos os oficiais, com dinheiro e cesta basica.
                    Só depois que eu me graduei como sgt, é que pude entender o quanto era difícil o papel daquele e de tantos outros sgts e oficiais, que, para não se indispor com seus superiores, tinha que se passar por durão e as vezes até perseguidor.
                    As vezes, tudo não passa de fachada. Mas há casos e casos (2)
                    Bom fim de semana para todos.
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                        O QUE EXISTE A NÍVEL DE PERSEGUIÇÃO AOS POLICIAIS MILITARES NO NOSSO PAÍS COMO UM TODO E EM PARTICULAR NA BAHIA É ABSURDO!!!!!!
                        OFICIAS QUE FICAM COM SUAS LISTAS DE PONTO NA MÃO RECHEANDO DE HORAS TRABALHADAS, ENQUANTO PRAÇAS QUE LUTAM CONTRA TRÂNSITO, FALTA DE TRANSPORTE E ETC... SÃO A TODO TEMPO PUNIDOS POR CONTA DE MINUTOS DE ATRASO. ISSO É AMORAL!!!!!!!!!
                        SE FOR FICAR AQUÍ FALANDO DA IMORALIDADE DA PM , IRIA PASSAR O DIA ESCREVENDO, PRINCIPALMENTE DO QUE VEM DOS SUPERIORES HIERÁRQUICOS.
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                            Com a palavra esses companheiros que estão a frente ou fazem partes de associações e sindicatos.
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                                O Comando Geral da Polícia Militar de Minas Gerais avalia o afastamento do comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Teófilo Otoni, tenente coronel Marcos Barbosa da Fonseca, após várias denúncias de abuso de poder, coação, perseguição, assédio moral, agressão, desmandos e até suspeita de envolvimento com drogas.
                                Apurações em cheque. Apesar da garantia dada pelo comandante da 15ª Região da Polícia Militar, à qual pertence o 19º BPM, coronel José Geraldo de Lima, pelo ouvidor da PM, Paulo Vaz Alkimin, e pelo promotor do Patrimônio Público, Fábio Reis de Nazareth de que todas as denúncias contra o comandante serão apuradas, há temor de que nem todos os casos sejam avaliados com exatidão. Isso porque, o o coronel teria relações estreitas com o promotor Nazareth e com outras autoridades das cidades da região. O empresário Luiz Carlos Ferreira Júnior, policial aposentado e dono de uma empresa de segurança, acusou o promotor de ser amigo particular do comandante e de participar de festas com a presença de garotas, que aparentavam ser menores de idade. Júnior disse que ter vídeos que mostram o promotor, o tenente coronel e autoridades de outras cidades dirigindo após ingerir bebida alcoólica e em “atitudes suspeitas”. O empresário disse ser vítima de perseguições em função dessas gravações.
                                Apenas a título de ilustração, mas essa estória acredito ser "conhecida" de muitos comandados pelo Brasil afora ...Ou sera apenas "um caso isolado" como as corregedorias declaram. Abraços
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                                    Bom Texto, parabéns Ten Danillo Ferreira.
                                    Bom comentário, Victor F. Fonseca. Mas porque será "os conflituosos" anda sofrem? não há aí um corporativismo, ou pelo menos, um receio de se expor por um problema que não é seu, por parte de quem deveria corrigir estas situações?
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                                        O que falta na maioria das corporações é um mecanismo, por mais simples que seja, de verificação do conceito que os superiores possuem por parte dos subordinados. Há casos de comandantes que são elogiados por onde passam, enquanto outros acumulam histórico de relações conflituosas, e nada acontece... Às vezes o segundo vai destruindo carreiras por conta de seus próprios problemas, deixando um rastro de destruição injustificada, e a cúpula fecha os olhos supondo que seja normal, que sejam mecanismos de controle disciplinar... Há casos e casos.
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                                            Concordo que todo policial militar tem de cumprir o horário de serviço, o que praticamente todo o efetivo cumpre. O que não concordo é que quando ultrapassamos a carga horária não recebemos nada mais por isso, enquanto que uma vez ou outra chegamos atrasados ao serviço, geralmente os superiores já querem punir de qualquer maneira. Deveria haver flexibilidade quanto a isso.
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                                                Pessoalidades sempre existiram e sempre irão existir, dentro e fora do militarismo, infelizmente.
                                                A questão nas PM's é, o "poder de fogo" e a credibilidade junto ao Comando, que um Oficial dispõe.
                                                Ainda que todos da Unidade tenham plena ciência de que determinada Praça sofre perseguição, ninguém vai, POR MEDO DE REPRESÁLIAS, se indispor contra o Oficial protagonista da perseguição, principalmente se o Comandante da respectiva Unidade for AUSENTE e OMISSO(daqueles que só aparecem uma vez por semana, possui celular funcional, mas está sempre desligado; somente se preocupam com símbolos e gratificações, influência com políticos locais, solenidades, promoções...).
                                                "QUANDO O GATO SAI ÀS RUAS, O RATO FAZ A FESTA".




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