Priscila TrindadeSÃO PAULO – O julgamento dos quatro policiais militares acusados de pertencer a um grupo de extermínio e de assassinato entrou na fase final por volta das 16h45 desta quinta-feira, 29. O júri popular, que teve início por volta das 10 horas, ocorre no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Os PMS são acusados de assassinar Antônio Carlos Silva Alves, portador de deficiência mental, em outubro de 2008. Na época do crime, a vítima tinha 31 anos. Alves foi encontrado com a cabeça decapitada, as mãos decepadas e um corte na barriga em forma de cruz. Estão sendo julgados os PMs Anderson dos Santos Salles, Joaquim Aleixo Neto, Moisés Alves dos Santos e Rodolfo da Silva Vieira. As nove testemunhas, sendo quatro de acusação e cinco de defesa, já foram ouvidas. Depois, os réus foram interrogados. A previsão do Tribunal de Justiça é que o júri popular termine por volta das 23 horas. O grupo de extermínio formado por homens do 37º Batalhão da PM em São Paulo ficou conhecido como ‘highlanders’. O nome é uma alusão ao filme estrelado por Christopher Lambert e Sean Connery na década de 80, em que guerreiros cortavam a cabeça de seus inimigos. Posts Relacionados
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Dos 18 policiais militares presos em junho pela série de assassinatos na Baixada Santista, apenas um suspeito continua preso. Na semana passada, três PMs foram soltos pela Justiça. Em junho, outros 14 já haviam sido liberados. Os acusados estão realizando trabalhos administrativos na sede da Corregedoria da Polícia Militar, na capital, e só irão voltar para as suas funções quando terminar o processo.
De 18 a 23 de abril, 23 pessoas foram executadas no Litoral. Um grupo de extermínio, conhecido como os “PMs Ninjas”, foi acusado de comandar as execuções, conforme revelou o Jornal da Tarde, na edição do dia 1º de maio. No dia 2 de junho, três PMs foram presos na Baixada. Dois dias depois, outros 15 também tiveram suas prisões administrativas decretadas. Menos de uma semana depois, no entanto, apenas quatro permaneciam presos e desde o dia 6 de julho, apenas um “PM Ninja”, que teve sua prisão temporária prorrogada por mais 30 dias, permanece na Corregedoria. A PM não comenta o caso porque o processo corre em Segredo de Justiça.
Leandro Calixto
A defesa de dois dos quatro policiais militares presos acusados de participar da série de assassinatos da Baixada Santista informou que não irá entrar com recurso para revogar a prisão temporária dos PMs.
“Dificilmente o juiz concede esse recurso quando a prisão é temporária. Quando expirar o prazo de 30 dias, vamos ver qual vai ser a decisão da Justiça. Depois disso, anuncio qual será nosso posicionamento”, disse o advogado Eugênio Malavazes, que representa os PMs Thiago Araújo e Célio Nunes.
O quarteto está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Militar por suposta ligação com o grupo de extermínio conhecido como “PMs Ninjas”. O grupo seria responsável pela matança do litoral sul, que resultou na morte de 23 pessoas no mês de abril.
Leandro Calixto
Dos 18 policiais militares que foram recolhidos administrativamente, acusados de integrar o grupo de extermínio conhecido como “PMs Ninjas”, apenas quatro continuam presos.
Os outros 14, por falta de provas, foram liberados pela Corregedoria da PM.
Os policiais militares são suspeitos de comandar a série de crimes na Baixada Santista, que resultou na morte de 23 pessoas.
Os crimes ocorreram de 18 a 26 de abril e a principal linha de investigação da polícia aponta esses “PMs Ninjas” como responsáveis pelos crimes.
A matança deixou as cidades de Santos, Praia Grande, Guarujá e São Vicente em estado de alerta. A Tropa de Choque foi chamada para reforçar o policiamento desses municípios. Os crimes no litoral acabaram provocando a troca de comando na Corregedoria da PM.
Por Bruno Paes Manso
Tudo começou em um pequeno barraco de madeira na Favela da Aldeia, em Vicente de Carvalho, bairro do Guarujá, lugar com ruas de terra encurralado entre o mangue e a linha de trem. Era onde o vigilante noturno Anderson Oliveira dos Santos, de 31 anos, vivia com a mulher, Kelly, uma filha e um enteado. Num sábado, dia 2 de abril, Kelly causou comoção ao juntar mães que acusavam o marido de passar filmes pornográficos e molestar quatro crianças.
Era o primeiro capítulo de uma história que duas semanas depois iria desencadear uma série de 23 assassinatos na Baixada Santista. Culminaria com a detenção de 18 policiais militares e levantaria suspeitas de que um grupo de extermínio vinha atuando na região – os Ninjas da PM, como o JT revelou em 1º de maio.
Ainda no sábado, Anderson foi deslocado por cerca de 20 km numa van para um barraco na Vila Baiana, favela do Guarujá. Foi organizado um debate entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), encabeçado por Eduardinho, chefe do crime na Aldeia, Natal e Gato Félix, além das mães e crianças envolvidas na história. Anderson desapareceu no mesmo dia.
Com a ajuda de colegas do Guarujá, o policial militar Célio, irmão de Anderson, com um grupo de outros policiais, fez incursões ao longo de duas semanas em busca do corpo desaparecido. “Foram semanas de sofrimento. Quem eles encontravam, davam tabefes. Bateram em deficientes, deram tiro para cima, humilharam mulheres e crianças”, conta a tia de uma das meninas supostamente molestadas.
No dia 18 de abril, um domingo, às 19 horas, duas motos com homens encapuzados cercaram o Fiat Siena do soldado Paulo Raphael Ferreira Pires e o executaram com dez tiros de fuzil. Na noite do dia seguinte, cinco pessoas foram mortas no bairro de Vicente de Carvalho. Dois dias depois, outra pessoa foi assassinada em Vicente de Carvalho e quatro em São Vicente.
O episódio marcou a onda crescente de violência no litoral. As cidades de Guarujá, São Vicente, Cubatão e Santos foram, no ano passado, as principais responsáveis por elevar pela primeira vez os índices de homicídio no Estado depois de dez anos em queda.

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