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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Coronel do Exército condenado por planejar golpe e assassinato de autoridades segue recebendo salário de R$ 30 mil, mantém vínculo com o governo e cumpre prisão domiciliar

 A prisão domiciliar de um coronel da reserva conden ado pelo STF, somada à divulgação de sua remuneração no Portal da Transparência, reacende discussões sobre benefícios, vínculos ativos e a relação entre carreira militar, Estado Democrático de Direito e responsabilidade institucional.

por Alisson FicherPublicado em 31/12/2025
Coronel do Exército condenado por planejar golpe e assassinato de autoridades segue recebendo salário de R$ 30 mil, mantém vínculo com o governo e cumpre prisão domiciliar
Coronel condenado por trama golpista é preso e segue recebendo mais de R$ 30 mil, segundo Portal da Transparência da CGU. (Imagem: Reprodução)

O anúncio de uma prisão no Tocantins, uma remuneração pública superior a R$ 30 mil e uma condenação por crimes relacionados a uma trama golpista formam um enredo que envolve o Exército Brasileiro, o Supremo Tribunal Federal e a Controladoria-Geral da União.

A história, marcada por disputas judiciais, defesa técnica e questionamentos sobre remuneração de militares reformados, expõe como a esfera pública brasileira reage quando investigações, sentenças e dados oficiais se entrelaçam.Viriforte

Segundo informações coletadas junto ao Portal da Transparência e conforme publicado pelo portal G1, o coronel do Exército Fabrício Moreira de Bastos foi preso em Palmas, no Tocantins, no sábado (27), após condenação de 16 anos pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

A sentença foi relacionada ao chamado “Núcleo 3” da trama golpista, apontado como responsável pelo planejamento de ações violentas que teriam como alvo autoridades do Estado brasileiro.

Quem é o coronel alvo da decisão

Fabrício Moreira de Bastos é coronel da reserva do Exército e possui vínculo ativo com o Ministério da Defesa, embora sua lotação atual não seja divulgada por motivos de segurança institucional.

Ele aparece nas bases oficiais com rendimentos acima de R$ 30 mil, valor bruto identificado entre os meses de julho e setembro e novamente em novembro, conforme dados disponibilizados pela Controladoria-Geral da União (CGU).

O Portal da Transparência indica remuneração bruta de R$ 30.437,50, referente aos meses mais recentes publicados.

Os registros mostram que o militar entrou para a reserva em junho deste ano.

A CGU explica que dados financeiros podem sofrer defasagem, pois bases informacionais são atualizadas gradualmente.

Por essa razão, a remuneração referente a outubro e novembro teria previsão de divulgação até quarta-feira (31), sendo uma delas disponibilizada no dia 30.

A Administração Pública afirma que os demonstrativos de dezembro deverão ser publicados apenas em 30 de janeiro de 2026, de acordo com cronograma oficial.

O que levou à prisão

A Primeira Turma do STF condenou o coronel a 16 anos de prisão por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

A condenação integra o núcleo de decisões judiciais relacionadas aos ataques às instituições democráticas no período eleitoral de 2022.

A prisão cumprida no sábado é do tipo domiciliar.

O militar deve permanecer com uso de tornozeleira eletrônica e cumprir uma lista de medidas cautelares, entre elas:

  • proibição de uso de redes sociais
  • proibição de contato com demais investigados
  • apreensão de passaportes
  • suspensão de porte de arma de fogo
  • restrição de visitas

Segundo nota da Polícia Federal, mandados também foram cumpridos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia e no Distrito Federal.

Em algumas dessas ações, agentes contaram com apoio operacional do Exército Brasileiro.

Os investigados passaram por audiência de custódia ainda no sábado, procedimento obrigatório para confirmar a legalidade das prisões.

O que diz a defesa

O advogado Marcelo Cordeiro, representante jurídico do coronel, declarou à imprensa que segue convicto da inocência de seu cliente.

A defesa afirma que a prisão e a condenação seriam “ilegais e arbitrárias” e que “serão revertidas em breve”.

O defensor também sustenta que o processo ainda não está encerrado judicialmente.

A sentença não transitou em julgado e, portanto, cabe recurso.

Segundo ele, existe confiança no Judiciário e na possibilidade de revisão.

Em nota, o advogado acrescentou que, na visão da defesa, “nem ele e nem os outros cometeram qualquer conduta de golpe de Estado, atentado contra o Estado Democrático de Direito, organização criminosa ou dano patrimonial”, afirmando que não existiriam provas materiais que sustentem a condenação.

Esse posicionamento, no entanto, é parte do discurso da defesa e não corresponde à decisão do STF, que condenou o militar com base em elementos apresentados no processo.

O que diz o STF e como o caso continua

O Supremo Tribunal Federal ainda publicará o acórdão completo referente ao julgamento.

Após essa publicação oficial, defesas deverão apresentar recursos.

Esses pedidos serão analisados pelos ministros.

Enquanto isso, o coronel permanece em prisão domiciliar sob monitoramento.

A CGU confirmou vínculo ativo com o Ministério da Defesa e justificou que a lotação do militar não é divulgada para preservar informações sensíveis ligadas à segurança nacional.

A orientação oficial para quem deseja obter informações sobre lotação histórica é buscar diretamente o Comando do Exército.

Como funciona o Portal da Transparência nesse tipo de caso

O Portal da Transparência não é responsável pela geração dos dados, mas apenas pela publicação.

Isso significa que dados financeiros só aparecem no site após serem enviados ao órgão responsável.

A CGU explica que:

  • outubro e novembro teriam divulgação até 31 de dezembro de 2025
  • novembro foi publicado no dia 30
  • dezembro será publicado apenas em 30 de janeiro de 2026

Esse intervalo pode gerar confusão pública, especialmente quando o assunto envolve militares condenados e questões sensíveis de Estado.

Por isso, a própria CGU anexou nota na qual afirma que as informações passarão a constar após o envio dos dados e que não são divulgados detalhes de lotação de militares por razões estratégicas.

    Alisson Ficher

    Alisson Ficher

    Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 13 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com.




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