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NINJAS DA POLÍCIA QUERIAM MATAR 50 PESSOAS NA BAIXADA SANTISTA
17/05/2010 Deixe um comentário Go to comments
‘Ninjas da PM’ queriam matar 50 pessoas
Grupo de extermínio, que teria começado a agir na Baixada Santista após execução de policial da Força Tática, é suspeito de ter matado 22
Leandro Calixto
Policiais militares que teriam formado um grupo de extermínio planejavam executar mais de 50 pessoas na série de assassinatos que resultou na morte de 23 vítimas no mês passado, na Baixada Santista. É o que apontam as investigações. Os PMs são os principais suspeitos de comandar os crimes, ocorridos entre os dias 18 e 26 de abril. O plano só não teria sido concretizado porque a Tropa de Choque foi chamada para reforçar o policiamento no litoral sul de São Paulo, uma semana após o início da onda de homicídios, que completa um mês amanhã.
A principal linha de investigação aponta vingança como motivo dos crimes. PMs teriam dado início à matança depois que um policial da Força Tática foi morto por traficantes em Vicente de Carvalho, no Guarujá. Esse homicídio teria sido ordenado por um criminoso da região, que teria ficado furioso com a morte de um parente sem envolvimento com o tráfico de drogas. Eduardo Rodrigues do Nascimento, conhecido como Eduardinho, que era foragido e condenado a 29 anos de prisão por homicídio, foi preso pela polícia como suspeito pela morte do policial da Força Tática Paulo Raphael Pereira Pires, de 27 anos.A reportagem apurou que o policial executado tinha uma imagem de profissional combativo e ao mesmo tempo violento. “Ele era honesto. Mas não dava mole para ladrão. Era violento com os caras”, disse um investigador. Revoltado com a morte de seu parente, o traficante teria ‘encomendado’ o assassinato do policial do Guarujá.
No dia 18 de abril, por volta das 18 horas, o policial Paulo Raphael foi morto quando passava por Vicente de Carvalho. O carro do PM apresentou várias perfurações de tiro. Assim que soube do crime, um grupo de pelo menos cinco policiais teria feito um juramento para vingar a morte do colega de farda. A partir daí, 22 pessoas foram assassinadas na Baixada Santista em pouco mais de uma semana. Segundo testemunhas, os policiais que executaram as vítimas usavam motocicleta e capuz preto. Eles são conhecidos na região como Ninjas.
Na edição do dia 1º de maio, o Jornal da Tarde mostrou que os policiais estavam entre os suspeitos pela série de crimes. Quase metade das vítimas da matança tinha passagem pela polícia. Tanto o comando da Polícia Militar quanto o da Polícia Civil admitem abertamente a participação dos policiais na série de assassinatos.
“A ação de policiais nestes crimes está sendo investigada pela Polícia Civil. Temos fortes indícios de que seja um grupo. Se tiver que cortar a própria carne, vamos cortar”, admitiu o coronel Sérgio Del Bel, que responde pelo Comando de Policiamento do Interior 6 (CPI-6), unidade responsável pela Baixada e Vale do Ribeira.
O delegado Waldomiro Bueno, do Deinter-6, responsável pelo policiamento do litoral sul de São Paulo, reconheceu a possibilidade. “Temos indícios fortes. Mas estamos trabalhando com todas as hipóteses: vingança, tráfico e, principalmente, crimes praticados por PMs. Mas vamos esclarecer tudo isso o mais rápido possível. Doa a quem doer.”
Ultimato
Preocupado com a onda de violência na Baixada Santista, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, se reuniu com toda a cúpula da Polícia Civil e Militar do litoral sul na semana passada. Ferreira Pinto foi a Santos cobrar uma resposta de seus subordinados. O secretário teria exigido do alto escalão dos Batalhões e também da Civil que o caso fosse esclarecido o mais rápido possível. Ferreira Pinto quer punição exemplar aos policiais envolvidos na matança. A reportagem apurou que não está descartada a troca de comando das polícias Civil e Militar, caso os crimes não sejam esclarecidos. Até ontem, só um suspeito havia sido preso.
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